TEXTOS, RESENHAS, LIVROS, CINEMA, CULTURA, ANÁLISES, INFORMAÇÕES, NOTÍCIAS, HISTÓRIA, ARTE DA E SOBRE A RÚSSIA. PARA AMANTES DAQUELE PAÍS.
Textos do Blog
-
►
2020
(1)
- ► abril 2020 (1)
-
►
2017
(2)
- ► novembro 2017 (1)
- ► fevereiro 2017 (1)
-
►
2016
(4)
- ► março 2016 (1)
- ► fevereiro 2016 (1)
- ► janeiro 2016 (1)
-
►
2015
(17)
- ► dezembro 2015 (1)
- ► setembro 2015 (2)
- ► agosto 2015 (1)
- ► julho 2015 (3)
- ► junho 2015 (3)
- ► abril 2015 (1)
- ► março 2015 (1)
- ► fevereiro 2015 (3)
- ► janeiro 2015 (1)
-
►
2014
(20)
- ► dezembro 2014 (2)
- ► outubro 2014 (5)
- ► setembro 2014 (1)
- ► agosto 2014 (5)
- ► julho 2014 (6)
- ► junho 2014 (1)
quinta-feira, 23 de outubro de 2014
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
LÍNGUA RUSSA ON LINE
Outra opção de curso de Língua Russa - presencial e na internet
http://www.cursorusso.com.br/
http://www.cursorusso.com.br/
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
UM PEQUENO NABOKOV
Um pequeno Nabokov
Por paradoxal que pareça levei uns
dois anos para ler este pequeno livro de treze contos de Wladimir Nabokov com pouco mais de cento e cinquenta páginas.
Era um livro
que não fluía; um pouco pela forma, um pouco pela temática. Lia um conto e
estranhava. Parava e só retomava dias ou meses depois. Mas não era ruim.
Cada conto
de “Detalhes de um Pôr-do-Sol” é
como um ovo estalado no óleo quente: intenso e definitivo. Nabokov nos joga
cada um sem muita explicação, sem muito enredo e sem muito mistério. Inteiro e
finito.
Os contos
foram escritos entre 1924 e 1935 em Berlim por um Nabokov ainda jovem, recém
emigrado da Rússia após a Revolução de 1917
empobrecido e foram publicados em jornais de Riga, Berlim e Paris ajudando no sustento do autor.
A linha
condutora dos contos é um sentimento de grande angústia temperada de ausências
e perdas. Após a Revolução Nabokov teve que abandonar o seu país e isso o
marcou profunda e permanentemente. Nos seus escritos percebe-se uma silenciosa
nostalgia da Rússia.
No primeiro
conto, que dá título ao livro, o autor narra que Mark e Klara iam se casar em
uma semana. Retorna um antigo amor de klara. Mark, pega o bonde, feliz ao final
do expediente. Pula para descer. Cai e é
atropelado. “...quando se despediu do amigo, o clarão de um pôr-de-sol avermelhado
inundava a vista do canal...”. Morre. O autor descreve e reflete sobre
a morte. Mark não vê Klara, que já está com outro. E é isso. Fica o silêncio.
Em “Um Mau Dia”, Berlim, 1931 – ainda na Rússia, meninos vão para um sítio no interior.
Peter e a irmã mais velha. Os primos vão brincar. É chato para Peter. Brincam
de se esconder. E se esquecem de Peter.
Depois, um menino que descobre na
escola que o pai vai participar de um duelo. Ao final, o duelo não acontece. E
o menino desanda a chorar.
Em “O Retorno de Tchorb” de novo a presença da ausência: Tchorb sai em
lua-de-mel pela Europa. A sua jovem
mulher morre eletrocutada em uma pequena estrada em Nice. Ele trabalha a perda
não contando para ninguém. Resolve retornar pelo trajeto que haviam feito
juntos pela Europa. Num hotel vagabundo dorme com uma prostituta. É seu último
desafio: dormir no mesmo hotel de sua primeira noite com a sra. Tchorb.
“O Passageiro”
– Escritor conta a um crítico uma história em uma viagem de trem. Numa outra
viagem, numa cabine dupla, um homem chega de madrugada. O escritor só vê o seu
pé na escada do beliche. O homem chora toda a noite. O escritor nunca soube o
motivo, e nem nunca viu o rosto daquele homem.
Na “Carta que nunca chegou a Rússia” o homem emigrado em Berlim
escreve carta contando impressões de seus dias e suas melancolias a uma
ex-namorada de São Petersburgo. Fala de sua solidão, e dos emigrados, em
Berlim. “Sinto a alma tão leve que às vezes me divirto olhando as pessoas
dançarem no café do bairro. Muitos dos meus companheiros de exílio denunciam
indignadamente ( e nessa indignação há uma pitada de prazer) as abominações que
estão hoje em voga, inclusive as danças atuais. Mas a moda é a expressão da
mediocridade humana, um certo padrão de
vida, a vulgaridade do que é igualitário, e denunciá-la significa admitir que a mediocridade pode criar alguma coisa
(seja uma forma de governo ou um novo penteado) digna de nossa atenção...”
No “Reencontro” Lev, emigrado da Rússia em Berlim tem notícia da
chegada de seu irmão Serafim que havia ficado e agora viajava em uma missão
oficial. Ficaria por um dia. Era Natal. Fazia dez anos que haviam se separado.
Encontram-se. Não tinham nada para falar. Era uma cena patética.
“A campainha da porta”. Homem (soldado) sai da Rússia. Viaja pelo mundo. Depois de
sete anos vai procurar a mulher amada em Berlim. Era russa. Na realidade a
mulher é a mãe dele. Acha a casa dela. Conversam. A mesa estava posta para
dois. Alguém bate na porta. Um silêncio constrangido. Não abrem. Despedem-se
por mais um ano.
Assim, os contos nos deixam um pouco
aturdidos. Pela sutileza de algumas construções, pelo humor erudito, pelo apelo
ao inusitado, seja no conteúdo quanto na forma, já transparece o traço e a
inquietude do gênio. Estava nascendo um grande escritor do século vinte: num
dos contos, ao olhar nos olhos de um menino na rua pensa: “vi, de relance, as lembranças
futuras de alguém”.
“Detalhes de um pôr-do-sol” é um livro que retrata um pouco da tragédia pessoal
escondida nos silêncios de cada vida humana. Uma tragédia lenta, chorada “pra
dentro”, melancólica. Uma trajetória de perdas, de enganos e de desencontros.
Mas também pode vislumbrar uma silenciosa e melancólica esperança, um fio tênue
de amor a existência. Uma alegria. Alguns raios de sol vermelhos. “...e
os passageiros foram brindados com o cheiro penetrante de campos
recém-ceifados, o rangido ponderoso das
rodas e a visão fugidia de saudades e margaridas murchas em meio ao feno...”.
“quando se viaja como ele viajava, a
gente se esquece dos nomes do tempo, que são expulsos pelos nomes dos lugares.”
“... os pensamentos de uma mulher
quando apoia o queixo na mão...”
“...Tal como a maioria das pessoas
que lêem pouco, tinha uma afeição servil pelos dicionários...”
Sim, de fato, já é um Nabokov.
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
FORMAÇÃO DOS NOMES RUSSOS - Fonte: TRADUZCA
OS SIGNIFICADOS DOS SOBRENOMES DE AUTORES DA LITERATURA RUSSA
Coelho, Pereira, Oliveira… e tantos outros sobrenomes em português já nos remetem automaticamente ao seu significado. Hoje, no blog da Traduzca, você vai conhecer o significado traduzido dos sobrenomes de grandes autores da literatura russa.
Doistoiévski
O autor do clássico “Crime e Castigo” e de obras como “Os Irmãos Karamazov” e “O Idiota” tem seu sobrenome devido a uma origem geográfica. A família de Fiódor Mikhailovich era originária de uma localidade chamada Dostoiev, na Bielorrússia. Apesar disso, nasceu em Moscou em 11 de novembro de 1821 e morreu em Moscou em 9 de fevereiro de 1881.
Tolstoi
Autor de “Guerra e Paz” e “Ana Karenina” e considerado o principal prosador russo, o conde Lev Tolstoi é de família nobre. O sobrenome, entretanto, remete a um significado não tão positivo. “Tolstii” em russo significa “gordo”. O mais certo é que a família tem gosto pela literatura. Aleksei Konstantinovich Tolstoi, contemporâneo de Lev, e o soviético Aleksei Nikolaievitch Tolstoi, o “Conde Vermelho”, dada sua lealdade ao regime, seguiram pelo caminho das letras, assim como sua neta Tatiana Tolstaia, escritora russa contemporânea.
Púchkin
Ele é considerado o principal símbolo da literatura e da cultura russa. Está no mesmo patamar que Dante, na Itália, e Goethe, na Alemanha. Aleksandr Púchkin descende de linhagem nobre, que começou no século XIV com Gregori Morkhinin. Por ter sido o primeiro artilheiro da Rússia, foi apelidado de “púchka”, que significa “canhão”. O apelido foi incorporado como sobrenome.
O autor do clássico “Crime e Castigo” e de obras como “Os Irmãos Karamazov” e “O Idiota” tem seu sobrenome devido a uma origem geográfica. A família de Fiódor Mikhailovich era originária de uma localidade chamada Dostoiev, na Bielorrússia. Apesar disso, nasceu em Moscou em 11 de novembro de 1821 e morreu em Moscou em 9 de fevereiro de 1881.
Autor de “Guerra e Paz” e “Ana Karenina” e considerado o principal prosador russo, o conde Lev Tolstoi é de família nobre. O sobrenome, entretanto, remete a um significado não tão positivo. “Tolstii” em russo significa “gordo”. O mais certo é que a família tem gosto pela literatura. Aleksei Konstantinovich Tolstoi, contemporâneo de Lev, e o soviético Aleksei Nikolaievitch Tolstoi, o “Conde Vermelho”, dada sua lealdade ao regime, seguiram pelo caminho das letras, assim como sua neta Tatiana Tolstaia, escritora russa contemporânea.
Tchekhov
Anton Tchekov em nada tem a ver com os tchecos. O sobrenome tem a sua raiz em “Tchekh” ou a variante “Tchokh”, que estão relacionadas com o verbo “tchikhat”, que em russo significa “espirrar”. Exerceu a medicina, foi escritor e dramaturgo. Costumava dizer que a medicina era a sua esposa oficial, enquanto a literatura, sua amante.
Anton Tchekov em nada tem a ver com os tchecos. O sobrenome tem a sua raiz em “Tchekh” ou a variante “Tchokh”, que estão relacionadas com o verbo “tchikhat”, que em russo significa “espirrar”. Exerceu a medicina, foi escritor e dramaturgo. Costumava dizer que a medicina era a sua esposa oficial, enquanto a literatura, sua amante.
Ele é considerado o principal símbolo da literatura e da cultura russa. Está no mesmo patamar que Dante, na Itália, e Goethe, na Alemanha. Aleksandr Púchkin descende de linhagem nobre, que começou no século XIV com Gregori Morkhinin. Por ter sido o primeiro artilheiro da Rússia, foi apelidado de “púchka”, que significa “canhão”. O apelido foi incorporado como sobrenome.
E se você quiser ir fundo na questão dos sobrenomes russos, a Traduzca te indica outro conteúdo: como são formados os nomes e sobrenomes russos.
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
Embaixador brasileiro em Moscou fala sobre as relações Rússia-Brasil
Ainda com os cortes orçamentários sucessivos que o Ministério das Relações Exteriores vem sofrendo, uma imagem sorridente da presidente ilustra a parede verde atrás da mesa do embaixador brasileiro em Moscou.
Na função desde janeiro deste ano, Antonio José Vallim Guerreiro parece refletir os princípios do Itamaraty a cada declaração. Do não envolvimento em disputas internacionais à resolução pacífica de contendas.
"O governo brasileiro não está aqui para ocupar espaço de quem quer que seja", diz à Gazeta Russa, referindo-se à substituição das importações arquitetada por Moscou que rendeu grandes manchetes nos noticiários brasileiros.
Sobre um possível boicote à Rússia na cúpula do G-20, a realizar-se em novembro na Austrália, ele diz ainda que "ninguém é dono" do grupo.
Ex-representante permanente do Brasil junto à Conferência do Desarmamento em Genebra (2012-2013), chefe da missão junto à agência Internacional de Energia Atômica em Viena (2006-2012), entre outros cargos diplomáticos ocupados desde 1979, Guerreiro concedeu entrevista exclusiva à Gazeta Russa em Moscou:
GR: O senhor foi enviado como embaixador do Brasil em Moscou em janeiro deste ano. O senhor poderia fazer um balanço deste período na função?
Tem sido um desafio muito promissor. Nunca tinha morado na Rússia, já tinha estado aqui por períodos curtos para realização de consultas com autoridades russas sobre temas de que eu tratava antes, relacionados às Nações Unidas, à questão nuclear, e sempre tive a melhor impressão dos interlocutores com quem me encontrei aqui em Moscou.
Desde janeiro, quando cheguei, a situação tem sido não só desafiadora, mas estimulante, do ponto de vista profissional e pessoal também.
O Brasil e a Rússia têm relações muito boas que se têm fortalecido ao longo dos anos. São países grandes, com grandes populações, têm uma economia mais ou menos do mesmo tamanho, e as oportunidades de intercâmbio em várias áreas são enormes. Tanto uma parte como a outra tem que saber aproveitar essas oportunidades. Isso tem sido feito na área cultural, comercial e em várias outras.
Neste ano, tivemos em Fortaleza a cúpula do grupo Brics, que inclui Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul.
"Nós, países do Brics, não nos definimos como contrários a ninguém ou a nada".
A cúpula foi extremamente útil e talvez tenha sido a que rendeu mais resultados concretos, na medida em que houve a aprovação do estatuto do banco do desenvolvimento do Brics. Isso facilitará o intercâmbio e a realização de projetos conjuntos com os demais países.
Uma coisa que acho importante assinalar é que nós, países do Brics, não nos definimos como contrários a ninguém ou a nada. Nós queremos incorporar, nós queremos adicionar, não queremos destruir ou abolir. Nós procuramos reformas onde elas são necessárias, mudanças onde elas são necessárias, de modo a refletir as aspirações de um número maior de países.
Durante esse período, tive o grande prazer de participar de forma mais ativa dos dias do Brasil na Rússia, com uma série de eventos em Moscou e em São Peterburgo, ligados a cultura, música, teatro, cinema e um festival de cinema brasileiro que já se realiza aqui pela sétima vez.
Pude testemunhar o que, para mim, foi uma grande surpresa: o grande interesse que há neste país pelo Brasil e pela cultura brasileira. Há grandes similaridades entre os países, ou pelo menos interesse mútuo muito grande.
No Brasil as pessoas fazem uma ideia da Rússia como sendo apenas um país frio, e acho importante que os brasileiros venham aqui para se darem conta da riqueza cultural e de civilização deste país.
GR: Recentemente, foram impostas sanções por países desenvolvidos a organizações e pessoas diversas na Rússia. Como o Brasil vê a ideia da instauração de sanções econômicas com fins de pressionar politicamente um Estado soberano?
O Brasil, em princípio, não considera a imposição de sanções o melhor dos recursos para a obtenção de soluções pacíficas para controvérsias internacionais.
O Brasil sempre defendeu que uma solução pacífica para controvérsias internacionais deve dar-se por meio da negociação, por meio do envolvimento diplomático, e não por meio do recurso a sanções, sejam elas econômicas, militares, comerciais. Portanto, por definição, o Brasil prefere caminhos alternativos às sanções.
Evidentemente, nós temos uma posição muito clara de que quem tem autoridade para impor sanções é o Conselho de Segurança das Nações Unidas, de acordo com a própria carta das ONU.
GR: Também já muito se falou sobre as possibilidades que as respostas de Moscou às sanções irão abrir ao Brasil. Existe alguma perspectiva para quantificar o aumento desse volume de negócios?
Não, a resposta clara é não. Sem dúvida alguma, muitos dos produtos que a Rússia comprava de países dos quais deixará de comprar são produzidos também pelo Brasil e por outros países.
Os homens de negócios brasileiros já vêm trabalhando aqui na Rússia, e o Brasil fornece mais de 50% do mercado de carnes para o país. Os exportadores brasileiros já conhecem os importadores russos. Essa é uma questão comercial, e caberá aos homens de negócios dos dois países se entenderem e chegarem a transações que considerem úteis para ambos os lados.
"Nós queremos incorporar, nós queremos adicionar, não queremos destruir ou abolir. "
O governo brasileiro não está aqui para ocupar espaço de quem quer que seja. O governo brasileiro dará, como sempre deu, o apoio que puder, que é parte institucional do que nós temos que fazer.
Se haverá ou não um aumento das exportações do Brasil para a Rússia, eu não sei. Espero que haja, e espero que haja também um aumento das importações brasileiras oriundas da Rússia. O comércio tem que ser, tanto quanto possível, equilibrado, de duas mãos.
GR: Com o recente deterioramento das relações geopolíticas entre a Rússia e os países desenvolvidos, houve um apelo para que a Rússia não participasse da cúpula do G-20. Como o Brasil vê essa política de contenção voltada contra a Rússia?
Especulou-se, em meios de comunicação, que a Rússia não seria convidada para a cúpula do G-20, na Austrália. Nenhum país é dono do G-20. O G-20 é propriedade dos países que dele são membros. Não cabe a nenhum país deixar de convidar este ou aquele país por qualquer razão.
Até o momento presente, não tenho informação concreta quanto à participação da Rússia no G-20, mas minha suposição é que a Rússia estará presente no nível que considerar adequado na reunião da Austrália.
GR: A participação do Brasil e da Rússia no Brics tem afetado as relações políticas e econômicas bilaterais? Como?
Acho que sim, tem afetado e de forma muito positiva. O grupo Brics constitui uma plataforma dos seus cinco membros e ele sempre enseja a oportunidade para encontros periódicos.
O Brasil sediou, como eu disse, a última cúpula e a Rússia sediará a próxima, no ano que vem, em Ufá. E o presidente da República do Brasil, ou a presidente, não sei, virá certamente a essa cúpula.
Eu próprio não tinha ideia de que o grupo Brics cooperasse em tantas áreas específicas e concretas. Há encontros entre especialistas de cada um dos países dos Brics sobre as áreas mais diversas.
Por exemplo, na área de estatísticas nacionais, o nosso Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística participa de reuniões com seus contrapartes de outros países, há iniciativas na área cultural, fora as declarações políticas, que são muito importantes, o posicionamento na área econômica...
Devo confessar que me surpreendeu a intensidade de todos os contatos que são realizados no âmbito do Brics. E mais uma vez eu repito, nós não somos um grupo contrário a ninguém ou a nada.
GR: Apesar de a balança bilateral ter registrado alguma queda, especialistas consideram que nos últimos anos ocorre uma aproximação entre Brasil e Rússia. Quão verdadeira é essa assertiva e por que isso não influencia os indicadores econômicos?
O potencial de intercâmbio entre a Rússia e o Brasil é muito grande. Nós temos economias de mais de dois trilhões de dólares. Existe um potencial muito grande. Mas temos que reconhecer que, historicamente, o Brasil nunca esteve, ou esteve muito pouco no radar da Rússia, e vice-versa.
A intensificação das relações entre os dois países, o maior conhecimento mútuo, é algo relativamente recente. Historicamente, o Brasil esteve muito mais voltado para outras áreas do mundo. Aos poucos estamos descobrindo a Rússia e o potencial desses país, e a recíproca é absolutamente verdadeira.
A conjuntura internacional também contribui. Não vivemos em um mundo fechado, todos sofremos influências da conjuntura internacional. De modos diferentes, é preciso assinalar, mas a crise internacional teve efeitos também.
Mas que o potencial existe, ele existe, e tenho absoluta confiança no dinamismo dos empresários de cá e de lá, para maximizar as possibilidades e concretizar os negócios que forem necessários.
Acho, particularmente, que as relações não se devem resumir apenas a compra e venda de produtos e serviços. Temos uma agenda muito mais ampla e muito mais humana. O conhecimento das nossas personalidades facilita o comércio e como nos aproximarmos.
GR: O Brasil já aguardava há tempos um apoio de peso em seu pleito a uma vaga no Conselho de Segurança da ONU. Houve negociações para o apoio russo se realizar?
O apoio russo a que o Brasil tenha uma participação mais ativa dentro do conselho de segurança não é de hoje. E isso não se negocia.
O apoio russo está muito ligado ao perfil internacional do Brasil, um país que defende propostas e princípios da Carta das Nações Unidas, que defende a solução pacífica das controvérsias, o envolvimento diplomático para a solução das controvérsias, o princípio da autodeterminação.
O que leva a Rússia a nos apoiar em um papel mais proeminente no Conselho de Segurança das Nações Unidas é exatamente esse perfil que nós historicamente adotamos.
Assinar:
Postagens (Atom)






